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Cuspidores de fogo

Gostaria de fazer uma nota sobre um assunto: crente amaldiçoando.
Vou escrever fora do debate se uma montanha se move mesmo ou é figurativo, fora do debate se Eliseu amaldiçoo os jovens ou não ( se você fosse atacado por uma gangue de mais de 50 pessoas de jovens baderneiros nas ruas atuais, sendo você um pregador principal em uma favela com traficantes acho que Deus te livrando com duas ou três onças não lhe pareceria errado, estou certo? Alias você não ficaria se achando também né, já que isso só ajudaria o seu trabalho missionário ali) e fora do debate se houve homens de Deus amaldiçoando (que é óbvio pois tá lá escrito, tanto quanto que Deus executou sua vontade usando homens como intermediários, não o contrário, logo nem vale dizer que pela minha vontade vou sair amaldiçoando).

Quero falar diretamente sobre o texto chave no Novo Testamento sobre amaldiçoar: Marcos 11:11 em diante.
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11 Jesus entrou em Jerusalém e dirigiu-se ao templo. Observou tudo à sua volta e, como já era tarde, foi para Betânia com os Doze.

12 No dia seguinte, quando estavam saindo de Betânia, Jesus teve fome.

13 Vendo à distância uma figueira com folhas, foi ver se encontraria nela algum fruto.

14 Aproximando-se dela, nada encontrou, a não ser folhas, porque não era tempo de figos.

15 Então lhe disse: "Ninguém mais coma de seu fruto". E os seus discípulos ouviram-no dizer isso.

16 Chegando a Jerusalém, Jesus entrou no templo e ali começou a expulsar os que estavam comprando e vendendo. Derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas
e não permitia que ninguém carregasse mercadorias pelo templo.

17 E os ensinava, dizendo: "Não está escrito: ‘A minha casa será chamada casa de oração para todos os povos’? Mas vocês fizeram dela um covil de ladrões".

18 Os chefes dos sacerdotes e os mestres da lei ouviram essas palavras e começaram a procurar uma forma de matá-lo, pois o temiam, visto que toda a multidão estava maravilhada com o seu ensino.

19 Ao cair da tarde, eles saíram da cidade.
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Pausa. Jesus depois da Entrada Triunfal em Jerusalém, a aparência da situação era de que Jerusalém estava recebendo seu Rei, então Jesus dirigiu-se ao templo. Viu como estava a situação a sua volta e como já era tarde foi para Betânia.

Pela manhã no caminho entre Betânia e Jerusalém, viu uma figueira ao longe aparentando frutos, mesmo não sendo época. Não havia frutos então Jesus amaldiçoou a figueira e continuo seu caminho.

Chegando a Jerusalém, foi direto pra onde? Jesus entrou no templo, e então começou o que provavelmente não deu tempo no dia anterior, expulsou quem pervertia o templo com suas negociações do que é santo. Alí, pelo menos naquela parte do templo, era onde todos os povos poderiam vir e buscar ao Deus, pessoas que esperavam o Messias, mas quando o Messias chega em pessoa, como encontra este local? Uma verdadeira baderna regida pela "grana".
A palavra do Messias era muito boa, maravilhava o povo ali, mas para os lideras da época, serem chamados de ladrões em covis era o mesmo que dizer: a culpa desses caras estarem transformando o templo em baderna são suas, líderes atuais. Isso gerou muita raiva e consequentemente vontade de matar. Não há perdão note isso.

Ok, Entardeceu, pois a palavra de Jesus deixaram as pessoas maravilhadas e Jesus sai do templo e voltamos ao relato:

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20 De manhã, ao passarem, viram a figueira seca desde as raízes.

21 Lembrando-se Pedro, disse a Jesus: "Mestre! Vê! A figueira que amaldiçoaste secou! "

22 Respondeu Jesus: "Tenham fé em Deus.

23 Eu lhes asseguro que se alguém disser a este monte: ‘Levante-se e atire-se no mar’, e não duvidar em seu coração, mas crer que acontecerá o que diz, assim lhe será feito.

24 Portanto, eu lhes digo: tudo o que vocês pedirem em oração, creiam que já o receberam, e assim lhes sucederá.
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Tudo fica belo para muitos olhos, para quem quer algo bom ou ruim, basta dizer e será feito. Falácia! O Messias fala de oração e fé em Deus, não de um comandos de voz e a certeza do poder de um "software" divino chamado fe.exe executar sua função programada!

O Cheque está aqui:
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25 E quando estiverem orando, se tiverem alguma coisa contra alguém, perdoem-no, para que também o Pai celestial lhes perdoe os seus pecados".
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Quer ato de ação positiva ou pura lábia convencedora mesmo, não se enquadra no ato de orar, estar em contato com Deus em súplica e adoração. E perdão nunca é dado em uso de uma atitude de determinação positiva ou lábia, porque esses usos são dar mérito ou tirar mérito.

e o Cheque Mate:
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26 Mas se vocês não perdoarem, também o seu Pai que está no céu não perdoará os seus pecados.
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"Mas" é condição, logo se um homem ora amaldiçoando e tal maldição não foi dada por Deus usando-o, foi do homem. Se foi do homem teve motivo. Se teve motivo e esse motivo foi julgamento ou ofensa, não existiu perdão. Se não existiu perdão não foi obedecido a recomendação do versículo 25 de Marcos 11 dada pelo próprio Messias para que se saiba que almadiçoar é tentar levar ambos, amaldiçoado e amaldiçoador, para longe da presença de Deus definitivamente.

Uma metáfora seria o homem que salva dois outros homens de uma areia movediça com uma corda e durante o salvamento um deles, por motivos quaisquer não perdoados, chuta a cara do outro que está se salvando. O que salva olha para ambos com que cara?

Ou dois meninos que brigando na terra se sujam bastante, são lavandos com uma mangueira pela mãe de ambos. Um dos meninos começa a pegar mais lama e jogar bem no rosto do irmão, por motivos não perdoados.

Com Israel na época a questão é essa, a figueira aparentou frutos assim como Jerusalém aparentou frutos de receber o Messias e não teve frutos assim como a ausência de oração como se deve. Lembre-se que Jesus disse que estava escrito que ali seria chamado Casa de Oração e não foi isso que ele viu.

Notou que essa passagem frisa muito mais a questão da Oração e Perdão do que Maldição, Violência Santa e Poder Metal da Planificação de Cordilheiras como muito é normalmente visto?
(Óbvio que há lições nessa linha sobre a fé contra desafios, ou zelo, para aprender no texto, mas o contexto nos leva à um sub-texto, o de saber como orar e viver o que se mostra já que o templo agora somos nós)

A questão é que Deus buscou o homem e deu-lhes modos de reaver a comunhão consigo. Mas nós como humanidade, no lugar do resultado da busca de Deus pelo homem: a busca dedicada do homem por Deus, preferimos os lucros em cima desta busca, o status sobre os que buscam, etc.

Onde o homem gentio, convertido ao judaísmo viria sacrificar ao Deus Vivo, lhe é vendido um cordeiro defeituoso por preços altos. Onde deveria ser casa de Oração e busca do Perdão, se transformou em casa de ladrões ferozes, lobos comedores de ovelhas, que ao seu bel prazer, matam (levando a maldição da cruz, logo amaldiçoando) o próprio Messias!

Hoje, talvez o povo brasileiro, atormentado psicologicamente pelas suas lendas culturais, modo de vida deformador e maus tratos por parte das família e sociedade, na sua busca a Deus recebe um Evangelho com perna manca, manchado e incapaz de frutificar perdão, e líderes e liderados resolvem, por falta de saber perdoar, soltar todo tipo de acusação e maldição sobre quem quer que seja. Fulano dizendo que demônios estão em tal ou tal segmento, Beltrano soltando maldições e ameaças pra defender os seus amigos, Ciclano determinando coisas ruins ou "menos boas" para aqueles que não seguem a mesma linha de raciocínio. Crianças pegando pedras e jogando nas outras porque foram xingadas de bobonas, porque não sabem quem são ou não sabem viver de outra forma e achando que o Pai não vai intervir na briga e dar uma boa bronca.

Conclusão, em oração, tendo as ofensas que sofremos já perdoadas por nós, não há como, em sã consciência cristã, amaldiçoar alguém por algo. O perdão de Deus que Cristo promove a nós é suficiente para acabar com nossos desejos de amaldiçoar, de querer levar o outro à um estado de maldição da qual estivemos sofrendo no passado ou sofremos (quer queira quer não a maldição da morte dada no Éden por Deus pode nos atingir ainda hoje caso não haja uma intervenção do próprio Deus).

Quer você defina maldição de qualquer forma, você sabe que ser Cristão requer um coração que não irá conseguir amaldiçoar um irmão ou possível convertido. E outra coisa, uma planta não tem ouvidos para ouvir a palavra de Jesus e se arrepender do erro de não dar fruto, já o ser humano tem. (Nesse caso, use os olhos amigo)



Série "Dos olhos que O viram" - Desenhos no chão

Olá galera! Vou compartilhar alguns dramatizações que escrevi sobre alguns acontecimentos bíblicos. Alguns tentei não citar tanto nomes de lugares nem criar nomes de pessoas para não distorcer o sentido dos textos que são apenas para ilustrar um ponto de vista, chamar sua atenção para os sentimentos daqueles que viram a Jesus Cristo fisicamente a dois milênios. A série de textos se chama "Dos olhos que O viram". Seriam os pontos de vistas daqueles que viram a Jesus. Mesmo sem eu apelar muito à liberdade poética, ressalto que se em algum ponto você não concorde com algo basta levar para a liberdade poética do texto. O sentido é você sentir um pouco desses olhos que viram à ELE em carne e osso.



Desenhos no chão

Foi uma noite maravilhosa para mim na época, o proibido realizado às escondidas. Entretanto minha ultima manhã raiava sem quem eu me preocupasse com ela, sem que a notasse. Tal manhã que prometia ser mais um turbilhão de outras novas sensações se tornou o prelúdio de meu fim. Com violência meus sentimentos se cruzavam entre o desespero e a culpa. Me debati como uma presa no matadouro, puxaram-me os cabelos e minhas roupas. Não tive tempo de vestir nada, minha leve roupa era envolvida por panos quaisquer da cama, como minha alma que se envolveu com qualquer trapo que desejei vestir.


Meus joelhos se rasgavam a cada vez que os encostava no chão, tentando livrar meus finos braços dos fortes deles. Eu sabia porque estava ali, fui pega em adultério e eram meus últimos momentos viva. Onde estava meu amante eu não sei, fui levada sozinha para o que me condenei com ele. Não saber como eu iria morrer era uma dúvida que sempre me perseguia e parecia que iria me perseguir até o momento da minha morte. Agora não como iria morrer, mas onde eu iria morar era minha dúvida. Estavam me levando para o templo, iriam me julgar lá? Matariam-me lá?


Um profeta ensinava no templo, agachado no chão e desenhando na terra, quando fui jogada contra uma parede. Rodearam o profeta e os que dele ouviam, assim como a mim. Pareciam montar um pequeno tribunal onde eu era a ré e o profeta o juiz.


Rapidamente um deles disse, como se introduzisse o julgamento:


- Mestre, esta mulher foi apanhada, no próprio ato, adulterando.


Não levantei minha cabeça enquanto estava no chão, encolhida, esperando tremula meu fim. Mil pensamentos de culpa e desespero rondavam minha mente para me atormentar, enquanto eu pensava que tudo aquilo era um pesadelo, que a qualquer momento eu acordaria e me veria longe daquilo tudo.


Como se estivesse em outro lugar distante, o profeta não levantou um olhar para tudo aquilo e continuou a escrever na areia para os que ainda prestavam atenção no que ele ensinava.


- E na lei nos mandou Moisés que as tais sejam apedrejadas. E você, o que diz?


Insistiam, como crianças impacientes buscavam a atenção do profeta. Reparei pelas poucas palavras que consegui compreender, pois estava muito abalada com tudo aquilo, que se tratava do nazareno que fazia milagres e falava boa palavra. Diziam ser o Filho de Deus. Escolheram justamente quem consideravam o filho do supremo Juiz para me julgar, pensei em minha mente confusa. Quanto mais meus olhos ardiam por tantas lágrimas derramadas, mais perturbavam o profeta nazareno.


De repente, o profeta parou de escrever, se apoiou para se equilibrar e levantou-se lentamente apesar de não ser velho, tinha uns trinta anos. Com os dedos sujos ainda calou todos ali só pelo fato de se levantar. Senti o quão respeitado seria aquele homem, iria dizer minha sentença? Ele seria o homem que daria a ordem para me matarem? Ele seria meu juiz naquele momento. Temi a voz daquele homem em suas primeiras silabas. E comecei a me jorrar em desespero quando ouvi o seguir da frase.


- Aquele que no meio de vocês esteja sem pecado seja o primeiro a atirar a pedra contra ela.


Não tive condição de perceber todo o sentido da frase, para mim naquele instante, eu estava sentenciada. A ordem foi dada. Esperava acuada a primeira pedra que atingiria minha perna ou meu braço, a segunda que feriria meu rosto, a terceira que quebraria minha costela ou incharia minhas costas, imaginei em um segundo cada pedra que me mataria até a última, que acertaria minha cabeça fortemente e me faria perder a consciência em meio a ossos quebrados, dores na carne e meus próprios gritos sem respostas.


Suavemente senti que não estava dolorida, os homens, um a um foram deixando o local quietos com passos sussurrados pelo peso na consciência. Os mais velhos que gritavam minha morte, ditando meus pecados naquela cama, se foram. Seguidos dos mais jovens que marcam meus braços com suas mãos perturbadoras.


Quanto ao profeta nazareno, ele estava inclinado ensinando como antes. Continuei ali abaixada chorando até que não houve mais ninguém, só o nazareno e eu. Levantei o rosto e ele estava olhando para mim, abaixei o rosto como se sentisse vergonha, não entendia, mas a vergonha agora era maior que a culpa ou o desespero de antes. Ele se levantou e se dirigiu a mim. Passo a passo aumentava meu choro. Então ele me perguntou:


- Moça, onde estão aqueles que estavam te acusando? Ninguém te condenou?


- Ninguém, Senhor. – respondi.


Seu tom de voz veio e me fez sentir bem, porém a súbita impressão que tive quando levantei a cabeça para olhá-lo me criou um último medo, vi sua mão segurando algo. É uma pedra, imaginei por impulso. Então Ele abriu a mão mostrando-a vazia e com um sorriso largo me disse:


- Nem eu te condeno; volta pra casa, e não peque mais.


As palavras de conselho se tornaram ordem. Como se a partir daquele momento eu recebesse uma nova lei em meu coração. Para sempre ficou marcada em minha memória a imagem do homem que escrevia no chão, com seu dedo na terra. No dia em que fui alvo de Seu coração sobre minha miséria. Aquela pessoa me permitiu ver meus filhos e netos nascerem. Eu soube de sua morte e sua incrível volta à vida. Ainda choro ao encontrar amigos que estiveram com ele como eu. Nunca vou saber quais os desenhos que O Messias estava desenhando no chão ensinando a todos ao redor enquanto me salvava, ensinando as pessoas que queriam ouvir Suas palavras, ensinando os homens que me acusavam e ensinando a mim. De fato morri naquele dia num canto no templo, mas renasci nas mãos vazias sem pedras daquele homem, Jesus, o desenhista da minha salvação.


Baseado na passagem de João 8:1-11


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